Aos 21 anos, o ator Caio Castro tem uma fala calma, ponderada e bem pensada. É atencioso e, por mais que procure se distanciar, já absorveu um pouco da maturidade do bem-sucedido Edgar Sampaio, o personagem de 28 anos que interpreta em Ti-Ti-Ti, novela que substituirá Tempos Modernos a partir do dia 19 de julho.

Apelidado pelos colegas de elenco de ''o Zé Mayer da novela das sete'', o ator defende Edgar, explica o que se passa com o jovem dono de uma agência de modelos quando se apaixona ''desesperadamente'' por Marcela (Ísis Valverde) e faz um breve balanço da carreira.

Conquistando em horário quase nobre
Não fui eu quem fez a comparação. Os amigos de elenco que começaram com essa de ''Olha o Zé Mayer da novela das sete!''. Mas é preciso cuidado ao falar que ele vai pegar todo mundo, porque acaba jogando para um lado de raciocínio que não é o dele. Tipo galinhão, piranhão, safado.
Na verdade ele tem uma amiga, uma sócia, uma cúmplice, que é a Luisa, personagem da Guilhermina Guinle, e eles têm um lance há mais ou menos uns sete, oito anos. E ela só quer isso. Não se sabe ao certo o sentimento dela por ele. Mas ela quer ficar desse jeito com ele, e empurra uma noiva para ele casar e ficar tranquilo.

E ele bica daqui, bica dali, não ama nenhuma das duas, mas tem um carinho e sente um pouco que não é importante para ninguém. Pensa: ''Uma só quer saber de casamento, outra só quer saber de me comer'' – vamos usar o português claro...

E aí a Marcela surge, que é o personagem da Ísis Valverde, para dar uma repaginada. Mostrar, primeiramente, que é errado o que ele está fazendo. Ela não acha certo e ele também passa a achar que é uma atitude errada. Ela dá essas ideias nele e ele acaba se apaixonando loucamente.
Ele estava confortável, achando que estava no caminho certo, e viu um outro lado. Uma outra face do que são os relacionamentos, do que é gostar de alguém.

O início em Malhação
Acho que a vantagem de começar em Malhação é pela carga de aprendizado que a gente recebe. Pela bagagem, mesmo. Eu entrei muito cru. Trabalhar é um aprendizado diário, de cada coisa você vai ter que escapar de um jeito e lidar de uma forma diferente. Foram três temporadas e eu saí completo e realizado, com a cabeça supertranquila, consciência de um trabalho bem feito. Eu fiz o que eu tinha que fazer, da melhor forma possível. Me dediquei ao máximo. O que eu sei fazer hoje (ou o que eu acho que eu sei fazer...), a bagagem, a técnica, a metodologia de estudo, tudo isso eu aprendi lá, e vou aprender coisas em Ti-Ti-Ti.

O peso do horário
Eu tento fugir desse lance de ficar pensando: ''Cara, é uma novela das sete, meu Deus do céu, o que eu vou fazer?''. Se eu ficar pensando nisso, não rola, não flui a parada. Mais do que falar, eu sei muito escutar as pessoas. A galera da novela está me ajudando. E eu escuto e vou aprendendo. Mas sempre com aquela coisa de ''É uma novela das sete, bicho, mantém a linha!''.

E o Bruno virou Edgar
É muito relativo pensar que o primeiro personagem é mais difícil. Mesmo porque eu comecei com um personagem muito próximo, com uma referência muito ''Bruno adolescente, inconsequente''. Eu tinha acabado de fazer 18 anos, estava vivendo exatamente aquilo. Claro que ele era em uma potência mais elevada. Agora o Edgar... O cara é bem-sucedido no trabalho, tem noiva, ele sente uma parada por duas mulheres. Uma é aquela relação tesão, pegação e cúmplice, que é até tranquilo, mas eu não sei o que é você ser noivo de uma pessoa pela simples obrigação de casar e ter que ser feliz. Eu não tenho uma referência pessoal muito próxima dele, então é muito mais complicado de construir.

Dos 21 aos 28 em uma novela
Eu não cheguei na idade dele ainda. Esse vai ser o grande desafio para mim, mas que é instigante.
Pensei: não adianta eu querer impor que ele é isso, forçar a barra, querer mostrar caras e bocas, porque vai ficar falso. Toda aquela credibilidade que eu construí em Malhação eu ia jogar fora numa tentativa que é uma roleta russa. Então procurei pegar ele neutro, redondinho, fazer de forma simples. Uma composição diária: família, trabalho, vida. Vi bastante filme de assuntos sérios. Por mais que eu não goste. Me preocupo em mudar minha forma de ser. Gosto muito da idade que eu tenho, dos meus 21 anos.